terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Raízen tem 5 projetos habilitados para leilão A-3
Fonte: Agência Estado (AE)
A Raízen inscreveu cinco novos projetos de cogeração a partir de bagaço de cana-de-açúcar no leilão de energia A-3 - que contratará energia para 2015 em diante - que acontece em 22 de março próximo, de acordo com o diretor de bioenergia da empresa, Juliano Prado. Segundo o executivo, os cinco novos projetos são de usinas da Raízen que ainda não possuem exportação de energia.
"Os projetos já foram habilitados mas apenas iremos tomar a decisão se iremos participar ou não do leilão quando os preços-teto foremdivulgados", explica ele. No total do setor, 22 projetos de biomassa foram inscritos para o leilão A-3 ante 81 projetos no leilão anterior.
Prado explica que a probabilidade de a Raízen ir efetivamente para o leilão é pequena em função dos preços pagos nos leilões recentes. "Neste patamar de preços, é muito difícil obter rentabilidade". Segundo ele, os valores atuais não garantem taxa de retorno para os projetos que precisam de retrofit. "São usinas já prontas e que precisam trocar suas caldeiras e modernizar os equipamentos de cogeração, o que torna a operação muito mais cara do que se construir uma nova usina, onde estes custos são diluídos", afirmou.
Segundo dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), 39% do setor produz eletricidade a partir de cana com caldeiras com mais de 30 anos de idade. Cerca de 70% do setor têm caldeiras com mais de 20 anos. Apenas 19% operam com caldeiras com menos de 10 anos de utilização. Para viabilizar a modernização de caldeiras em usinas já existentes, o custo ficaria entre R$ 140 a R$ 170 por MWh, dependendo da eficiência da empresa, bem acima dos R$ 100 pagos por energia eólica no leilão de dezembro de 2011.
Os cinco projetos habilitados da Raízen são para retrofit. Segundo Prado, se estes projetos conseguirem vender energia no leilão, a meta da Raízen para sair dos atuais 934 MW e atingir os 1.300 MW em 2015 ficará bastante próxima. Embora a Raízen também venda energia no mercado livre, a estratégia da empresa é focar a maior parte da produção no mercadoregulado. Prado afirma que 75% da bioeletricidade comercializada pela Raízen é via leilões do governo e apenas 25% vai para o mercado livre.
O executivo afirma que a Raízen já possui quatro usinas realizando estudos com a queima de palha de cana-de-açúcar para elevar a quantidade de energia produzida. Uma tonelada de cana-de-açúcar produz 250 quilos de bagaço e 204 quilos de palha. "A utilização da palha iria elevar em 82% a produção de energia", disse. Porém, em um primeiro momento, a adição de palha tende a elevar o custo de um projeto. "Estamos realizando estudos de como reduzir o custo da introdução da palha", afirma.
A Raízen pretende terminar 2012 com uma capacidade de geração de 934 MW. As usinas com maior capacidade serão a Usina da Barra, com 136 MW, a Usina Bonfim com 111 MW, a Jataí com 105 MW (ainda não entrou em operação), Caarapó e Ipaussu com 76 MW e a Usina Costa Pinto com 75 MW. (Eduardo Magossi)